segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

CRIANÇAS ABUSADAS SEXUALMENTE.

do silêncio diante dele, normalmente existe em busca da aceitação e afeto de um ente querido. Muitas crianças que foram abusadas, possuíam baixo Sinais corporais ou provas materiais

· Enfermidades psicossomáticas, as quais são uma série de problemas de saúde sem aparente causa clínica, tais como dor de cabeça, erupções na pele, vômitos e outras dificuldades digestivas, que têm, na realidade, fundo psicológico e emocional.

· Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs, incluindo AIDS), diagnosticadas através coceira na área genital, infecções urinárias, ou odor vaginal, corrimento ou outras secreções vaginais e penianas e cólicas intestinais.

· Dificuldade de engolir devido à inflamação causada por gonorréia na garganta (amígdalas) ou reflexo de engasgo hiperativo e vômitos (por sexo oral).

· Dor, inchaço, lesão ou sangramento nas áreas da vagina ou ânus a ponto de causar, inclusive, dificuldade para caminhar e sentar.

· Canal da vagina alargado, hímen rompido e pênis ou reto edemaciados ou hiperemiados.

· Baixo controle dos esfíncteres, constipação ou incontinência fecal.

· Sêmen na boca, nos genitais ou na roupa.

· Roupas íntimas rasgadas ou sujas de sangue.

· Gravidez precoce ou aborto.

· Ganho ou perda de peso, visando afetar a atratividade do agressor.

· Traumatismo físico ou lesões corporais, por uso de violência física.

Sinais no comportamento ou provas imateriais

Comportamento/sentimento

· Medo ou mesmo pânico de uma certa pessoa ou um sentimento generalizado de desagrado quando a criança é deixada sozinha em algum lugar com alguém.

· Medo do escuro ou de lugares fechados.

· Mudanças extremas, súbitas e inexplicadas no comportamento, tais como oscilações no humor entre retraída e extrovertida.

· Mal-estar pela sensação de modificação do corpo e confusão de idade.

· Regressão a comportamentos infantis, tais como choro excessivo sem causa aparente, enurese, chupar os dedos.

· Tristeza, abatimento profundo ou depressão crônica. Fraco controle de impulsos e comportamento auto-destrutivo ou suicida.

· Baixo nível de estima própria e excessiva preocupação em agradar os outros.

· Vergonha excessiva, inclusive de mudar de roupa em frente a outra pessoas.

· Culpa e autoflagelação.

· Ansiedade generalizada, comportamento tenso, sempre em estado de alerta, fadiga.

· Comportamento destrutivo, agressivo, raivoso, principalmente dirigido contra irmãos e um dos pais não incestuosos.

· Alguns podem ter transtornos dissociativos na forma de personalidade múltipla.

Sexualidade

· Interesse ou conhecimento súbitos e não usuais sobre questões sexuais.

· Expressão de afeto sensualizada ou mesmo certo grau de provocação erótica, inapropriada para uma criança.

· Desenvolvimento de brincadeiras sexuais persistentes com amigos, animais e brinquedos.

· Masturbar-se compulsivamente.

· Relato de avanços sexuais por parentes, responsáveis ou outros adultos.

· Desenhar órgãos genitais com detalhes e características além de sua capacidade etária.

Hábitos, cuidados corporais e higiênicos

· Abandono de comportamento infantil, dos laços afetivos, dos antigos hábitos lúdicos, das fantasias, ainda que temporariamente.

· Mudança de hábito alimentar – perda de apetite (anorexia) ou excesso alimentação (obesidade).

· Padrão de sono perturbado por pesadelos freqüentes, agitação noturna, gritos, suores, provocado pelo temor de adormecer e sofrer abuso.

· Aparência descuidada e suja pela relutância em trocar de roupa.

· Resistência em participar de atividades físicas.

· Freqüentes fugas de casa.

· Prática de delitos.

· Envolvimento em prostituição infanto-juvenil.

· Uso e abuso de substâncias como álcool, drogas lícitas e ilícitas.

Freqüência e desempenho escolar

· Assiduidade e pontualidade exageradas, quando ainda freqüenta a escola. Chega cedo e sai tarde da escola, demonstra pouco interesse ou mesmo resistência em voltar para casa após a aula.

· Queda injustificada na freqüência na escola.

· Dificuldade de concentração e aprendizagem resultando em baixo rendimento escolar.

· Não participação ou pouca participação nas atividades escolares.

Relacionamento social

· Tendência ao isolamento social com poucas relações com colegas e companheiros.

· Relacionamento entre crianças e adultos com ares de segredo e exclusão dos demais.

· Dificuldade de confiar nas pessoas a sua volta.

· Fuga de contato físico.

Indicadores na Conduta dos Pais ou Responsáveis

· As famílias incestuosas tendem a ser quietas, relacionam-se pouco. Os pais são autoritários e as mães, submissas.

· O abusador tende a ser extremamente protetor, zeloso da criança e/ou adolescente ou possessivo com a criança/adolescente, negando-lhe contatos sociais normais. Porém, lembre-se que manifestar carinho para com os filhos é importante para o crescimento saudável.

· O abusador pode ser sedutor, insinuante, especialmente com crianças e/ou adolescentes.

· O abusador crê que o contato sexual é uma forma de amor familiar.

· O abusador pode acusar a criança de promiscuidade ou de sedução sexual ou ainda acreditar que ela tem atividade sexual fora de casa.

· O abusador pode contar histórias, referindo-se a outro agressor a fim de proteger um membro da família.

· É freqüente o agressor Ter sofrido esse tipo de abuso na infância (físico, sexual e emocional).

· Membros da família fazem uso de substâncias como álcool, outra drogas lícitas ou ilícitas.

É importante afirmar que nem todas as famílias com esse perfil cometem incesto. Portanto, é preciso tomar cuidado para não tirar conclusões precipitadas, que possam estigmatizar ainda mais este tipo de família. Lembre-se de que as pessoas que praticam violência sexual contra crianças precisam ser responsabilizadas pelos seus atos, mas elas também precisam de ajuda a fim de que não os repitam e aprendam a respeitar a criança e o adolescente.

As Conseqüências do Abuso Sexual

As crianças e adolescentes abusadas podem reagir ou experienciar a violência sexual de várias maneiras:

· Algumas fingem que não são elas e tentam ver o abuso a distância.

· Outras tentam entrar em estado alterado de consciência, como se estivessem dormindo e pensam que o abuso foi um sonho e;

· Outra maneira é dissociar o corpo dos sentimentos. Alguns negam a existência da parte inferior do corpo.

Contudo, ao se ajudar a criança a enfrentar o abuso sexual sofrido de forma urgente, porém tranqüila, séria, cuidadosa, respeitosa, afetiva e competente pode-se evitar que as conseqüências dessa violência arruinem sua vida de criança e de adulto no futuro.

Analisando as conseqüências da violência sexual de foram generalizada, pode-se dizer que os efeitos, em curto prazo, são todos aqueles apontados pelos indicadores de violência no item “Treinando o olhar dos educadores...”. Além disso, seus efeitos em longo prazo podem ser bastante perversos:

· Seqüelas dos problemas físicos gerados pela violência sexual. As lesões, hematomas, DSTs podem interferir na capacidade reprodutiva. As gestações podem ser problemáticas, aparecendo complicações orgânicas cujas causas podem ser psicossociais. Esse problemas podem levar a uma maior morbidade materna e fetal.

· Dificuldade de ligação afetiva e amorosa, originada no profundo sentimento de desconfiança pelo ser humano em geral, por temor de reedição da experiência traumática ou ainda, por dissociação entre sexo e afeto, e gerando sentimentos de baixa auto-estima, de culpa, depressão prolongada por medo da intimidade.

· Dificuldades em manter uma vida sexual saudável. A dificuldade em estabelecer ligações afetivas pode estar associada com a questão da sexualidade ou interferindo nesta. As pessoas podem tanto evitar todo e qualquer relacionamento sexual por traumas e/ou fatores fóbicos que bloqueiam o desejo. Podem ainda vivenciar baixa qualidade nas relações sexuais com incapacidade de atingir o orgasmo ou demorar demais para atingi-lo.

· Algumas pessoas podem Ter reações opostas: tendência a supersexualizar os relacionamentos sociais, geradas por fatores como incapacidade de distinguir sexo do afeto; confusão entre o amor parental e manifestações sexuais, compulsivo interesse sexual para provar que são amadas e para se sentirem adequadas. Isto pode gerar também trocas sucessivas de parceiros.

· Engajamento em trabalho sexual (prostituição). Muitos dos profissionais do sexo foram abusados quando criança. Contudo, não se deve estabelecer nenhuma relação mecânica entre abuso sexual e prostituição. Milhares de crianças abusadas não se tornam trabalhadores do sexo quando adultas. A conexão que muitas trabalhadoras sexuais fazem entre uma coisa e outra é o fato de que, com a experiência de abuso, elas aprenderam que a única coisa ou a mais importante que as pessoas queriam delas era sexo. Provendo sexo elas encontram, paradoxalmente, um certo sentimento de valor, uma forma de mediação e, posteriormente, esta atividade se transforma numa estratégia de sobrevivência.

· Adição em substâncias lícitas e ilícitas. Aqui vale também ressaltar que qualquer associação mecânica entre abuso sexual e uso de drogas mais atrapalha do que ajuda. Apesar disso, algumas pessoas confessam que inicialmente usaram drogas para cuidar de sentimentos, esquecer a dor, a baixa estima e, mais tarde, o uso se tornou em vício incontrolável.

É importante chamar a atenção para o fato de que a violência sexual não produz o mesmo resultado sobre todas as crianças e adolescentes submetidos a ela. Deve-se considerar que indivíduos ou grupos de indivíduos respondem aos estímulos do meio de forma singular. Estudos atestam (Furniss, 1993; Farinatti, 1993) que as conseqüências sobre crianças e adolescentes podem variar segundo:

· A idade do início do abuso. Pesquisas afirmam que, quanto mais baixa a idade, mais difusos serão os efeitos e, portanto, mais severos.

· A duração do abuso. Os estudos declaram que quanto mais freqüente for o abuso, mais sérios serão os efeitos.

Grau de violência ou ameaça de violência. Quanto maior a força empregada ou ameaçada, piores serão os efeitos do abuso sexual, devido à anulação da criança enquanto sujeito.

· A diferença de idade entre a pessoa que cometeu o abuso e a criança que sofreu o abuso. Existe a hipótese dos efeitos serem menores quanto menor for a diferença de idade (este ponto pode ser controverso).

· grau de proximidade da pessoa que cometeu o abuso e a criança. Quanto mais próximos, maiores são as conseqüências, como no caso do incesto pai/filha.

· A presença e ausência de figuras parentais protetoras ou de outras pessoas que exerçam o papel de parentesco afetivo com a criança. As relações significativas e confiáveis podem ajudar a criança a superar suas dificuldades mais rapidamente.

· grau de sigilo sobre o fato ocorrido. Se mantido em segredo o abuso, a criança terá mais dificuldade em elaborar o ocorrido.

As variáveis acima ajudam a relativizar as generalizões sobre a violência sexual, mas, segundo dos Santos (2002), devemos ir ainda mais longe. Conhece-se pouco sobre a capacidade de resistência de cada criança e sobre a vida de crianças pós-violência sexual. As conseqüências podem variar ainda de acordo com:

· A percepção da criança sobre os avanços sexuais realizados contra elas. Para algumas crianças/adolescentes um simples olhar pode significar uma invasão na sua sexualidade, enquanto outras só se sentem invadidas na medida em que for beijada ou tocada. Não raros os casos de adultos que relatam Ter mantido relações sexuais com irmãos ou pessoas mais velhas como parte das descobertas sexuais.

· A existência de serviços, a sua organização em rede, e o grau de eficiência e eficácia desta rede. A agilidade, a qualidade e a abrangência da cobertura podem ser decisivas para ajudar tanto as crianças abusadas quanto os agressores na elaboração e superação da experiência vivida.

Como a visão que esses serviços têm sobre o fato ocorrido afeta a própria percepção da criança sobre o que aconteceu. Numa pesquisa comparativa realizada entre ex-crianças de rua em Nova York e São Paulo (dos Santos, 2002), constatou-se que os ex-jovens de rua de Nova York viveram sua experiência de abuso sexual como um terrível trauma que marcou quase definitivamente suas vidas. Em contrapartida, os jovens brasileiros a descreveram como uma experiência muito ruim, mas disseram que já a superaram ou estavam lutando para superá-la.

Esta última constatação chama atenção para a importância da visão de abuso sexual que esta sendo repassada às crianças e adolescentes nos serviços especializados, sobretudo no atendimento educacional, social e psicológico. Visões alarmistas e fatalistas que tendem a exagerar as conseqüências do abuso sexual não ajudam as crianças a superarem esta experiência negativa, além de desestimularem as pessoas ajudarem crianças.

Referir-se às ocorrências de abuso como “trauma” e às crianças abusadas como “sobreviventes da violência sexual” e aos agressores como “criminosos” só contribui para negativizar ainda mais esta experiência. Interpretar uma situação vivida ou aprofundar uma sensação da trauma na criança só contribui para aprisioná-la à experiência passada e arruinar sua vida presente.

Contribua para que uma criança ou um adolescente que sofreram abuso tenha uma vida saudável no presente e na adultez. Procure passar a visão de que o abuso sexual é uma violação grave aos direitos humanos da criança e do adolescente, mas também que suas conseqüências não são irreversíveis.

3 comentários:

ROCRI disse...

SÃO NOÇÕES COMO ESTAS QUE NOS AJUDAM A PARTICIPAR DAS VIDAS DE CRIANÇAS QUE ESTÃO AO NOSSO REDOR.
MUITO BOA ESTA EXPLANAÇÃO.!!!

RECORDAÇÕES... disse...

Obrigada pela contribuição!Sou educadora e digo é de extrema importância esse conteúdo para sabermos como lidar com nossas crianças e adolescentes.

Anônimo disse...

Eu fui abusado com sete anos... E ate hoje eu ainda tenho dificuldades de concentração e confiança

CLÍNICA PSIOCOPEDAGÓGICA

Síndrome de Asperger

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Síndrome de Burnout em Professores

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